DUB Brasil 2014 - 28 a 30 de abril de 2014
DUB Brasil 2014 - 28 a 30 de abril de 2014
 

O Gás de Folhelho (shale) no Novo Cenário Internacional

A revolução do óleo e gás natural não convencional, produzidoas a partir das formações de shale (folhelho), está mudando as regras do jogo nos Estados Unidos, no complexo tabuleiro do mercado de energia. A produção de gás natural induziu drástica queda nos preços do gás natural no Henry hub (principal pólo de referência) de USD14/MMBTU para menos de USD 4/MMBTU. Em 2009, os americanos ultrapassaram a Rússia na produção de gás natural e, de acordo com as projeções do EIA (Energy International Administration), em 2020 os EUA irão ultrapassar a Arábia Saudita, tornando-se o maior produtor de petróleo e gás natural do mundo, e em 2030, deverão ficar independentes de importações de petróleo. Em adição, o baixo preço de energia nos EUA é considerado o principal fator de recuperação da economia americana e também do processo em curso de reindustrialização do país.


O IEE-USP

O Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE-USP), há cerca de dois anos criou um grupo de estudos dedicado ao petróleo e gás naturais e não convencionais, e atualmente coordena a rede de pesquisa e desenvolvimento de hidrocarbonetos não convencionais (óleo e gás natural de shale) em articulação com várias universidades brasileiras. O citado grupo esteve nos Estados Unidos onde participou de conferências sobre o tema e realizou contatos com universidades texanas e empresas envolvidas na cadeia de suprimento, bem como discutiu com especialistas em gás e óleo não convencionais, como por exemplo, o ex-diretor de operações e a ex-diretora de relações públicas da Chesapeake Energy, que serão convidados a participar do nosso evento.


O DUB

O evento DUB Brazil 2014 tem como objetivo discutir de forma abrangente e integrada o petróleo e gás naturais não convencionais, de modo a se estabelecer um pólo de estudos, geração de conhecimento e sua disseminação para toda sociedade, incluindo membros do setor empresarial, universidades, órgãos governamentais, estudantes e cidadãos. Pretende-se ainda divulgar e esclarecer, em linguagem clara e direta sob o ponto de vista técnico e científico, aspectos relacionados com a exploração e produção de gás não convencional, os potencias impactos econômicos, ambientais e sociais da atividade de perfuração horizontal, fraturamento hidráulico, utilização de água e o gerenciamento de efluentes.


O Brasil

Segundo relatório da EIA, o Brasil figura como o décimo maior detentor de recursos não convencionais tecnicamente recuperáveis do mundo. Os primeiros mapeamentos apontam cinco bacias sedimentares com perspectivas de possuir recursos de gás natural e petróleo não convencional: bacias do Parnaíba, dos Parecis, do São Francisco, do Paraná e do Recôncavo. Já foi iniciada alguma atividade exploratória na região mineira da Bacia do São Francisco, onde foram concedidos 39 blocos exploratórios. Dentre as principais empresas com áreas para exploração de recursos não convencionais nesta bacia, estão: Imetame, Cemig, Orteng, Delp, Shell, Petrobras e Petra. A Petra anunciou ter identificado indícios de gás natural não convencional em 10 de 14 poços perfurados e prevê iniciar sua produção comercial em 2015.

A ANP (Agência Nacional do Petróleo), por ocasião da licitação de lotes da última rodada, divulgou que o potencial das bacias brasileiras de gás natural e petróleo não convencionais são da ordem de 514 tcf (trilhões de pés cúbicos), sendo que: na bacia do Parnaíba 64 tcf, Parecis 124 tcf, Recôncavo 20 tcf, São Francisco 80 tcf e Paraná 226 tcf. A ANP ainda recomendou que o IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) centralizasse as licenças ambientais para exploração de formações de shale.

O consumo de gás natural no Brasil vem crescendo e hoje representa cerca de 10% do consumo energético; entretanto, o alto preço tem inibido o crescimento de sua demanda no setor industrial. O Governo Brasileiro já sinalizou positivamente ao mercado no tocante a exploração de petróleo e gás naturais não convencionais e já realizou, por intermédio da ANP, duas licitações dos direitos de exploração de lotes terrestres. Na última licitação, 72 blocos foram negociados no valor de R$165 milhões.

Para destravar a exploração de hidrocarbonetos não convencionais, o Brasil precisa mapear e produzir informações geológicas confiáveis com relação às suas principais reservas localizadas nas bacias terrestres, além de um arcabouço regulatório claro e consistente para balizar e estimular as empresas privadas a investir.

As tecnologias envolvidas na exploração de petróleo e gás natural não convencional estão difundidas e disseminadas, tendo sido aplicadas com sucesso por diversas empresas norte americanas nos últimos dez anos. Os equipamentos envolvidos na perfuração são os mesmos utilizados para exploração de hidrocarbonetos convencionais. Os equipamentos necessários para completação e estimulação de poços, incluindo fraturamento hidráulico, podem ser facilmente replicados pela indústria nacional (bombas de injeção montadas em semi-reboques), não implicando na necessidade de importação.

As melhores práticas em engenharia para perfuração e completação, incluindo o fraturamento hidráulico e o uso de água, bem como diretrizes para preservação ambiental hoje em prática em diversos países do mundo, podem ser adaptadas e aprimoradas. Essas diretrizes devem orientar e guiar os investidores, garantindo a exploração das reservas brasileiras com segurança econômica, ambiental e benefícios sociais.

A Conferência DUB Brazl 2014 promoverá uma ampla discussão sobre a aplicação das melhores práticas de perfuração de poços e execução de fraturamento hidráulico, visando dirimir dúvidas e consolidar a opinião pública da capacidade da engenharia moderna de garantir a exploração de forma sustentável desse imenso potencial energético. Serão estabelecidos novos horizontes no tocante à disponibilidade de petróleo e gás natural no Brasil, o que implica na criação de empregos e geração de riquezas em decorrência da indução e implementação da construção de infraestrutura, bem como do estabelecimento de uma cadeia de suprimentos necessários ao desenvolvimento do negócio de exploração de hidrocarbonetos não convencionais em bacias brasileiras.